The United States of Leland

- Não gostei de ser o tipo de pessoa que faz aquilo.
- Que tipo de pessoa? Como todo mundo?
- Não gostei do que senti.
- Mas gostou de estar apaixonado por ela, não é? Faz parte. O amor só é maravilhoso porque sabemos como é ruim quando nos machucam...e ficamos sozinhos.
- ...eu menti sobre uma coisa.
- O quê?
- Sobre não sentir quase nada. Geralmente, não me importo com isso...
- E o que acontece quando se importa?
- Eu fico cego. Não vejo mais nada. Em algum grupo de garotos jogando beisebol, só vejo aquele que não deixam jogar, porque conta piadas sem graça. Ninguém o acha engraçado. Ou quando vejo duas pessoas apaixonadas se beijando, vejo que vão se tornar um daqueles casais tristes, uma pessoa traindo a outra e não podendo mais se olhar na cara. Eu sinto toda a tristeza deste casal. Sinto mais que o casal e o garoto jamais sentirão.
- Está se sentindo assim agora?
- Geralmente, não me deixo atingir...mas só de falar sobre isso, fico triste. E não adianta nada. Nada pode desfazer o que já está feito. Mas talvez agora faça sentido. Talvez haja um motivo em algum lugar. Talvez haja um porquê. Talvez possamos dar um bom desfecho à história e enterrá-la no quintal. Mas nada...nem a raiva, as preces ou as lágrimas...nada pode desfazer o que já está feito. O pior é saber que há bondade nas pessoas. Geralmente, fica escondida. Talvez não tenhamos um deus porque temos medo do sofrimento. Ou talvez das coisas boas. Se Deus não existe, significa que ele está dentro de nós, e poderíamos ser bons o tempo todo, se quiséssemos. Quando fazemos coisas ruins, talvez seja porque queremos ou temos que fazê-las. Ou talvez precisemos das coisas ruins para nos lembrar das boas.
- Está tudo bem. Tudo vai ficar bem. Eu prometo.
Trecho de um diálogo do filme "O mundo de Leland", o qual recomendo para os que apreciam filmes sensíveis e profundos.




